Jimmy Cliff, 81, que teve a morte anunciada nesta segunda-feira (24), em decorrência de uma convulsão seguida de pneumonia, teve décadas de sucesso na carreira. O cantor vivia em Kingston, capital da Jamaica, e seguia na ativa, compondo e preparando novos projetos.
Ainda adolescente, após se mudar de Saint James, no interior da Jamaica – onde se apresentava cantando em feiras e mostras culturais – para a capital jamaicana, James Chambers adotou o nome Jimmy Cliff e começou a gravar. Leslie Kong cuidou da ccarreira até 1971, quando morreu de ataque cardíaco, e viu nascer sucessos como “Hurricane Hattie”, “King of Kings”, “Dearest Beverley”, “Miss Jamaica”, e “Pride and Passion” na voz do cantor.
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Em 1964, Cliff assinou contrato com a gravadora Island Records e se mudou para a Inglaterra. No mesmo ano, foi escolhido como um dos representantes da Jamaica na Feira Mundial de Nova Iorque de 1964-65. O primeiro disco internacional (“Hard Road to Travel”) no entanto, veio apenas em 1967.
Seu último single lançado foi “Human Touch”, que marcava seu retorno ao reggae dos anos 1960 e por reflexões sobre a solidão em tempos de pandemia.
No Brasil, o jamaicano estourou com “Waterfall“, que lhe rendeu o troféu do Festival Internacional da Canção em 1969, mesmo ano em que “Wonderful World, Beautiful People“ chegou ao Top 30 nos Estados Unidos, virando um dos primeiros reggaes conhecidos fora da Jamaica.
A projeção lhe rendeu o convite para estrelar o filme jamaicano “Balada Sangrenta” (1972). A trilha sonora do longa foi um sucesso e projetou o reggae para mais países. Durante os anos 1970, lançou outros álbuns e se converteu ao islamismo, mudando o nome para El Hadj Naïm Bachir.
Em 1980, fez turnê com Gilberto Gil, lotando os locais por onde passaram. Em 1991, participou da segunda edição do Rock in Rio e teve canções utilizadas no cinema, como nos filmes “Jamaica Abaixo de Zero” (1993), “O Rei Leão” (1995) – é dele o single “Hakuna Matata”, em parceria com Lebo M – e “Alguém tem que Ceder” (2003).
Entre os reconhecimentos, recebeu em 20 de outubro de 2003 a Ordem do Mérito da Jamaica em reconhecimento a suas contribuições à música e ao cinema do país, teve o nome incluído em março de 2010 no Hall da Fama do Rock, e ganhou dois Grammy Awards, de Melhor Álbum de Reggae, por “Cliff Hanger” (1985) e “Rebirth” (2012).
Cliff se mantinha na ativa. O single “Human Touch” foi lançado em 6 de agosto de 2021, Dia da Independência da Jamaica, trazendo reflexões sobre a interação humana durante a pandemia de Covid-19. Seu álbum mais recente, “Refugees“, foi lançado em agosto de 2022.
*publicado por Jonathan Pereira
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