Acreditando cada vez mais nas pessoas, o Tribunal de Justiça de Rondônia prestou total apoio à 1ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos. O projeto foi realizado pela Secretaria Nacional de Políticas Penais do Ministério da Justiça e Segurança Pública (SENAPPEN). A mostra aconteceu no Centro de Ressocialização Feminino Sueli Maria Mendonça, e o projeto chegou à Penitenciária Estadual Jorge Thiago Aguiar Afonso (603), ambas em Porto Velho.
Cerca de 80 pessoas privadas de liberdade foram beneficiadas com o projeto — 60 homens e 20 mulheres. Eles puderam assistir a 13 curtas-metragens brasileiros, com destaque para a produção rondoniense “Somos Terra”.
Os filmes provocam reflexões sobre os direitos de todo cidadão e também sobre atitudes que geram consequências.
Com lágrimas nos olhos, uma das mulheres reclusas desabafa: “Eu me vi no filme. Vi minha mãe. Eu me vi naquelas crianças.”
Para o juiz Bruno Darwich, a arte é uma ferramenta que pode transformar o ser humano. “O TJ apoia toda iniciativa de difusão da arte no ambiente carcerário, que é um poderoso instrumento de ressocialização e de redução da reincidência penal”, afirma o magistrado.
Através de ações como essa, a Justiça rondoniense também contribui para a redução da reincidência. O cinema, nesse contexto, é direcionado principalmente para tocar as pessoas.
O secretário da Sejus, Marcus Rito, destaca como ações assim podem provocar mudanças reais: “A partir desses filmes, elas já conseguem enxergar as coisas de forma diferente. Podem ter esperança, que muitas vezes é perdida, mas que agora pode renascer. Elas passam a ver a vida com outros olhos.”
Neste ano, o projeto teve como tema: “Viver com dignidade é direito humano”. A mostra aconteceu em 54 unidades prisionais em todos os estados. No TJRO, a ação recebeu o apoio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e de Medidas Socioeducativas.
A reflexão proporcionada pela arte desperta pensamentos capazes de transformar atitudes, mesmo a longo prazo. Como relata uma das apenadas: “Muitas vezes, a gente tá aqui dentro desse lugar por querer mais e mais. Mas o real significado das coisas não tá nisso. Tá na essência, em tudo que nossos pais passaram pra gente, que eles ensinaram. Isso é o que realmente importa. E eu posso, sim, me dar bem na vida sem praticar crime.”

Comentários: